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Resumos dos mais interessantes trabalhos e artigos científicos, publicados nas principais revistas médicas internacionais, revisados e traduzidos pela nossa equipe médica e redação. Os temas são relativos às diversas especialidades médicas, apresentados com clareza e precisão de informações.

Veja - 13/12/2004

Geral

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Pesquisas desvendam os mecanismos usados pelo cérebro para identificar rostos

A inglesa Jane Goodall é talvez a maior especialista viva no estudo de chimpanzés. Em suas pesquisas nas florestas da Tanzânia, ela aprendeu a diferenciar um macaco do outro. No entanto, é incapaz de distinguir rostos humanos. Jane sofre de uma condição neurológica chamada prosopagnosia: a incapacidade de reconhecer faces. Essa doença limita bastante a vida social de suas vítimas. Elas desenvolvem macetes para identificar pessoas pelo cabelo, pela voz, pelo lugar onde sentam no ambiente de trabalho – mas a interação em festas e encontros sociais, onde as pessoas se misturam, é quase impossível. Pesquisas recentes têm jogado luz sobre essa estranha condição – e sobre a habilidade só na aparência trivial de reconhecer e memorizar feições.

Os psicólogos Brad Duchaine e Ken Nakayama, da Universidade Harvard, vêm realizando uma série de pesquisas com vítimas da prosopagnosia. Eles submeteram quarenta voluntários a uma bateria de testes em computador para aferir a habilidade de reconhecer não apenas rostos, mas carros, cavalos, casas, paisagens, ferramentas. Em alguns casos, o distúrbio afetava a identificação de vários desses elementos. Muitos voluntários, contudo, apresentavam uma dificuldade exclusiva com rostos humanos. "Muitos de nossos voluntários têm limitações severas na identificação de faces, mas são perfeitamente capazes de reconhecer outros objetos", diz Duchaine. Em uma linha de pesquisa paralela, Galit Yovel e Nancy Kanwisher, dois neurocientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), confirmaram a natureza específica do reconhecimento facial. Usando ressonância magnética, eles observaram a atividade do cérebro de pessoas normais enquanto elas examinavam imagens de rostos e de casas.

Descobriram que existe uma área específica dentro de uma região do cérebro chamada giro fusiforme que é responsável pela identificação de rostos. Essa área não mostra a mesma atividade quando o cérebro está processando a imagem de uma casa. Esses resultados desbancam uma teoria segundo a qual o cérebro usaria processos semelhantes para identificar rostos e outros objetos.

Apesar dos avanços na pesquisa, as causas da prosopagnosia ainda são um mistério. É quase sempre um distúrbio congênito, o que sugere uma origem genética. Também é possível que a causa esteja ligada a problemas de visão na primeira infância – embora esteja programada em nosso cérebro, a capacidade de reconhecer faces parece depender também de estímulos nessa fase. "É provável que o reconhecimento facial seja como a linguagem: uma habilidade que é ao mesmo tempo inata e adquirida", diz Yovel.

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O stress envelhece

Todos já ouviram histórias como "Fulano envelheceu depois da morte do filho" ou "Sicrano ficou de cabelo branco quando cuidou do pai no hospital". Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, acaba de demonstrar que há verdade por trás desses clichês. O estudo comprova pela primeira vez que o stress acelera o envelhecimento. Além disso, a pesquisa indica a influência direta do estado psicológico sobre a longevidade das células do organismo. Pessoas que têm uma percepção elevada do próprio stress envelhecem mais rapidamente. "Existem certas formas de pensar que contribuem para o stress – a idéia, por exemplo, de que os problemas com que lidamos são insolúveis", diz a psicóloga Elissa Epel, uma das coordenadoras do estudo.

Elissa e sua equipe examinaram 58 mães de 20 a 50 anos, 39 das quais cuidavam de filhos com autismo, paralisia cerebral ou outras deficiências. Os cientistas analisaram o grau de envelhecimento de células do sistema imunológico dessas mulheres. O principal indicador do envelhecimento celular é uma seção na ponta do cromossomo – as fitas de DNA que guardam nosso material genético – chamada telômero. Trata-se de uma espécie de tampa bioquímica, que tem a função de manter a integridade do DNA, impedindo que a molécula se desfaça. Cada vez que uma célula se divide, o telômero fica um pouco menor, até atingir um ponto crítico. A partir daí, a célula não se reproduz mais e acaba morrendo. O telômero, portanto, é um indicador de idade celular. Ao mostrar que o stress encurta prematuramente os telômeros, a pesquisa indicou uma relação entre ele e o envelhecimento.

A pesquisa comprovou que o desgaste de prestar cuidados intensivos a um filho cobra seu preço. A diminuição dos telômeros foi mais acelerada nas mulheres que cuidavam de filhos deficientes. Testes psicológicos revelaram que o modo como essas mulheres encaravam seus problemas também desempenhava um papel. A idade celular daquelas que se percebiam como tendo altos níveis de stress chegou a ser até dez anos superior à das mulheres da mesma idade com baixos níveis de stress. Além do comprimento do telômero, a pesquisa mediu níveis de telomerase – uma enzima que tem a função de restaurar as perdas do telômero – e de radicais livres, substâncias que danificam tecidos celulares, intensificando o envelhecimento.

Os resultados foram consistentes: mulheres mais estressadas apresentaram níveis mais baixos de telomerase e mais altos de radicais livres. A pesquisa deixa uma lição básica: paz de espírito ajuda a retardar a velhice. "Muitos gostariam de ter uma pílula mágica, mas o modo mais efetivo de reduzir o stress está em mudanças no estilo de vida", diz Elissa Epel. A pesquisadora recomenda relaxamento e alimentação equilibrada para combater o stress. E uma atitude mais serena diante de aspectos da vida sobre os quais não se tem controle.

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Cientistas americanos começam a averiguar as causas da ressaca. Mas a cura ainda está muito longe

A reclamação é procedente: a ciência é capaz de mandar naves ao espaço exterior, perscrutar as mais infinitesimais partículas da matéria, decifrar o genoma humano e, quando a questão é tratar de um dos mais banais males da humanidade – a ressaca –, nada, nadinha. Ou, quando muito, uma solução ainda em potencial, e literalmente espinhosa, o extrato do fruto de um tipo de cáctus, a mais recente novidade para combater sintomas como boca seca e enjôo. Num artigo sobre o tema, o jornal The New York Times invoca até a ética médica como um dos motivos da falta de interesse em tratar a ressaca, diante da possibilidade de que uma pílula anticarraspana incentive as pessoas a beber mais. Se não existe remédio, pesquisas recentes começam a examinar melhor os mecanismos da ressaca. Nenhuma grande surpresa: um dos principais motivos do efeito deletério dos excessos do copo é a presença nas bebidas alcóolicas de substâncias tóxicas liberadas na fermentação. "Essas substâncias são venenos, e o corpo reage de acordo", explica o médico Jeffrey Wiese, que participou de uma pesquisa promovida pela Universidade da Califórnia em São Francisco. Ou seja: o sistema imunológico, acionado, responde ativando os sintomas conhecidos de quem já tomou uma dose (ou várias) a mais. Há estudos voltados justamente para conter a reação imunológica e, dessa forma, atenuar os efeitos do excesso de bebida no corpo.

Ressaca, na verdade, não é uma, são várias. "O excesso de álcool ataca o sistema nervoso central e dá sono e, depois, irritação; corrompe mecanismos químicos cerebrais, provocando dor de cabeça; irrita as mucosas do aparelho digestivo, causando náuseas, vômito e diarréia; e inibe a ação do hormônio antidiurético, levando a sede e boca seca", lista o médico Ronaldo Laranjeira, professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e especialista em dependência química. "É difícil chegar a um remédio só que combata tudo isso." No Brasil, o Engov, veteraníssimo comprimido de mais de trinta anos que contém antiemético (combate enjôo), analgésico e antiácido, ainda é o último recurso de multidões de vítimas da síndrome do dia seguinte. Outras receitas são comer alimentos gordurosos antes ("para que o organismo absorva o álcool mais devagar") e ricos em amidos depois ("para enxugar o álcool") – ambas contidas no recém-lançado Guia Definitivo da Ressaca, obra assinada pelo jornalista britânico Richard Drunkard (bêbado, em inglês), que vem a ser pseudônimo da brasileiríssima Renata Bottini, moradora de Campinas. Bebedores eméritos têm, cada um, sua fórmula. O escritor Mario Prata, 58 anos, que trocou o uísque pelo vinho ("Não dizem que dois copos fazem bem à saúde? Imagine uma garrafa!"), enfrenta ressacas com litros e mais litros de água e refrigerante. Já o mais famoso consumidor de cerveja do país, Zeca Pagodinho, 45 anos, apela para a fórmula condenada pela medicina como quase suicida: "O melhor mesmo é tomar outra".

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